Cerca das 12 horas de 24 de Novembro de 2025 (uma segunda-feira), em Caxias junto ao Tejo, entre a praia e a estação de comboios, encontrava-se um pano vermelho, com um grande prato, também vermelho, com o que parecia ser um cozinhado de feijão preto e, ao centro, arroz branco. Sobre o prato havia também duas gambas cozidas, com uma outra sobre o pano. À direita uma lata aberta de cerveja sagres e um grande charuto, meio fumado. Do outro lado um copo (colocamos a hipótese) de cachaça. Mais à direita, encostado à parede, veem-se restos de cera vermelha e marcas de fumo de vela.

Trata-se claramente de um ritual mágico, ligada a práticas religiosas afro-brasileiras (Candomblé, Umbanda ou Quimbanda). O pano vermelho, estendido no chão, é de uma cor associada a entidades ligadas à força, guerra, paixão e energia, que no caso arriscamos, sempre como hipótese, ser Exu (no caso, pela localização do rito,  Exu dos Rios). Trata-se da base para a oferenda, delimitando o espaço sagrado e atraindo a vibração da entidade invocada. As oferendas de comida, bebidas alcoólicas e charutos são elementos clássicos deste tipo de práticas mágicas.

A diversidade de elementos e a multiplicidade de ritos descritos na bibliografia existente aconselha-nos a não especular demasiado quanto às funções e objectivo deste rito concreto,  mas uma vez mais como hipótese pode-se referir os propósitos de abrir caminhos, atrair prosperidade, proteção e dinamismo na vida material.